Numa esquina plantado, erma e tristonha,
No solo projetando a sombra esguia,
O poste tem silêncios de cegonha
Que cisma à beira da lagoa fria.
É noite, e seu perfil é de um vigia
Que, a perscrutar a escuridão medonha,
Com seu olho de vidro espia, espia...
Ninguém percebe, mas o poste sonha.
Ao vir do sol, aos claros regozijos
Dos pássaros, feliz, ele equilibra
A estrela da manhã nos braços rijos.
Já não é poste de feição tristonha.
É árvore, e floresce, e esgalha e vibra...
Ninguém percebe, mas o poste sonha.
Orlando Brito
Publicado no livro "Sonetos".
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