terça-feira

Dois anos de saudades eternas


Hoje, 21 de agosto, se completam dois que o poeta nos deixou. E desde então a alegria não sorri mais como deveria. Desde o dia em que Orlando Brito - parafraseando um de suas trovas mais célebres – em São Luis, andando ao léu, emendou as suas ladeiras, foi subindo e entrou no Céu. “E Deus e os santos e os anjos aplaudem o poeta no Céu”. 

Deixo aqui algumas simples trovas que foram feitas por ocasião do falecimento do poeta. 

             
Nem os filhos, nem os netos,
Desse poeta tão amado,
Estão mais tristes que a Lua
Que perdeu o seu namorado.

                    ***

Hoje o dia está tão triste (Tanta tristeza me assiste)
Que nem o Sol apareceu.
Até a Alegria ficou triste
Quando o poeta faleceu.

                   ***

A vida perdeu um intérprete
E o símbolo de sua alegria.
Orlando Brito agora escreve
Nas nuvens a sua poesia.

                  ***

A saudade é eterna, meu poeta! Assim como a sua obra. E assim como o amor que alegria que você tanto nos ensinou.

quinta-feira

Mais duas trovas

Aviso a quem for solteiro,
Casamento é uma cilada:
Mulher amada, primeiro.
Depois...é mulher armada.

...
Se o tempo os frutos apura,
Tal sorte à mulher conceda.
Pois é depois de madura,
Que ela vai ficando azeda.


Trovas publicadas no livro "Esta Vida é uma Graça".

Mais uma pérola rara

“Descanse em paz!”, mas a esposa
Reflete, olhando o caixão:
Se nunca fez outra coisa,
Pra quê agora a inscrição?


Trova publicada no livro "Esta Vida é uma Graça".

segunda-feira

O Poste

Numa esquina plantado, erma e tristonha,
No solo projetando a sombra esguia,
O poste tem silêncios de cegonha
Que cisma à beira da lagoa fria.

É noite, e seu perfil é de um vigia
Que, a perscrutar a escuridão medonha,
Com seu olho de vidro espia, espia...
Ninguém percebe, mas o poste sonha.

Ao vir do sol, aos claros regozijos
Dos pássaros, feliz, ele equilibra
A estrela da manhã nos braços rijos.

Já não é poste de feição tristonha.
É árvore, e floresce, e esgalha e vibra...
Ninguém percebe, mas o poste sonha.


                                                    Orlando Brito

Publicado no livro "Sonetos".

domingo

Natal da trova

Hoje é um dia celebração no universo da trova. Nascia num dia de hoje, há 84 anos, nascia Orlando, um mestre da forma mais singela da poesia.

Um homem que nunca quis mudar o mundo, mas com certeza alegrou a vida de cada um que teve o privilégio de conhecê-lo e ou conhecer a sua obra.

Segue aqui uma prova de que mesmo com toda a sua genialidade, tinha a humildade dos mestres. E se julgava "Um homem, simplesmente...":

...

Não tenho vocação para ser rico,
Vejo até na pobreza um certo encanto.
Se tenho pão e vinho, e um velho manto
Para as noites de inverno, alegre fico.

Não quero ser sábio, herói ou santo.
Basta o pouco que sei, com que me explico.
Poeta? – Não desejo erguer-me a tanto,
Nem pretendo da glória alçar-me ao pico.

Por onde passo, vou deixando provas
Das lições de humildade que recebo
De São Francisco, o doce irmão de Cristo.

Mostro, em tudo que faço e em minhas trovas,
Que não sou mau senhor, nem bom mancebo:
Um homem simplesmente, apenas isto.

segunda-feira

Duas trovas

Desce ao jazigo, faceiro,
E entre flores e soluços,
Virou-se logo de bruços,
Piscando um olho ao coveiro.

             ***

No velório alguém pergunta:
- Todo mundo já bebeu?
É quando uma voz defunta
Diz do caixão: - Falta eu!

                                   Orlando Brito 

Trovas publicadas no livro "Cantigas do Céu e da Terra".

quarta-feira

Dois de novembro


Tipo dos mais engraçados,
foi em tudo original:
Veio ao mundo num Finados
e morreu no Carnaval.